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Journal de fotografia de surf

Entrou água na tua câmara ou caixa estanque: o que fazer já

Uma caixa estanque inundada ou uma câmara que cai na rebentação é o pior dia de qualquer fotógrafo de água. O que fazes a seguir decide se é uma reparação ou uma perda total, e se as tuas fotos sobrevivem. Fabricantes e serviços de reparação concordam no essencial: cortar a energia, não testar a câmara e levá-la depressa a um profissional, sobretudo depois de água salgada. Aqui tens os passos, os mitos a evitar e uma lista para que não se repita.

Os primeiros minutos, passo a passo

Faz tudo por esta ordem e não desmontes nada além da bateria e do cartão.

  • Sai da água em segurança A tua segurança vem antes da câmara. Se a caixa meter água enquanto nadas, mantém-na parada numa posição para a água se juntar num só ponto, e volta pelo canal. Não a abras dentro de água.
  • Desliga e tira a bateria Já na praia, abre a caixa num sítio abrigado, desliga a câmara e tira logo a bateria.
  • Tira o cartão de memória Retira o cartão e guarda-o num sítio seco. Não o tentes ler na câmara molhada.
  • Não a ligues para testar Ligar uma câmara com água lá dentro pode transformar uma avaria reparável numa placa inutilizada. Resiste à tentação de verificar.
  • Escoa e seca por fora Despeja a água da caixa, seca o exterior da câmara com um pano limpo e seco e deixa abertas as tampas da bateria e do cartão.
  • Contacta a assistência técnica no mesmo dia A indicação da Canon para uma câmara que caiu à água é consultar rapidamente um centro de assistência. Cada dia de espera dá mais tempo à corrosão.

Água salgada ou água doce

Chuva ou um salpico de água doce num corpo selado resolve-se normalmente com um pano. A Canon diz para limpar a água com um pano seco, e tanto a Canon como a Nikon aconselham tirar o sal com um pano bem torcido e humedecido em água doce, secando depois bem a câmara. Mas selado não quer dizer estanque: a Canon afirma que os seus corpos selados não são à prova de água e não podem ser usados debaixo de água.

Água salgada dentro da câmara é muito mais urgente. Ao secar deixa sal, que continua a atrair humidade e a corroer contactos e placas, e a Nikon avisa que a ferrugem causada por água no interior pode provocar danos irreparáveis. Não deixes uma câmara encharcada em água salgada vários dias em casa a ver se seca. Podes ler que convém passá-la por água doce para tirar o sal; fá-lo apenas se a assistência técnica que vais usar to indicar.

Como secar e porque é que o arroz é um mito

Secar ajuda, mas não repara nada. Deixa a câmara e a objetiva à temperatura ambiente num sítio seco e arejado, com as tampas abertas. Evita secadores de cabelo, fornos, aquecedores e sol forte, e não sopres ar comprimido lá para dentro; a Apple dá o mesmo conselho para iPhones molhados.

O arroz é o mito clássico. Absorve a humidade devagar, não chega à água presa dentro do corpo e deixa pó e amido. A Apple pede expressamente que não se ponha um iPhone molhado em arroz porque as partículas pequenas o podem danificar, e a mesma lógica vale para uma câmara. O arroz também não faz nada contra o sal nem a corrosão, que são a verdadeira ameaça. Se o interior da objetiva ou do visor embaciar, deixa a câmara desligada até um técnico a ver.

Quando parar e levar a um profissional

Leva-a se a câmara ou a objetiva estiveram submersas, se entrou água salgada, se vês água ou vapor atrás do vidro ou se a caixa inundou, mesmo que pouco. O mesmo se a bateria estiver quente ou houver um cheiro estranho. Diz ao técnico se foi água salgada ou doce, quanto tempo esteve molhada e o que fizeste desde então.

Para o seguro, fotografa a câmara e a caixa antes de as embalar, guarda as faturas e pede à assistência um orçamento por escrito ou um relatório a dizer que não compensa reparar. As garantias do fabricante cobrem defeitos, não acidentes, por isso uma inundação costuma ser uma reparação paga, a não ser que tenhas cobertura de danos acidentais. Confirma se a tua apólice cobre uso profissional e equipamento usado na água.

Como recuperar as fotos do cartão

Os cartões de memória são selados e não têm peças móveis, por isso muitas vezes saem de uma inundação em melhor estado do que a câmara. Deixa o cartão secar por completo, lê-o com um leitor de cartões à parte e copia tudo antes de fazeres mais alguma coisa. Não o formates nem voltes a fotografar com ele.

Se faltarem ficheiros ou não abrirem, deixa de usar o cartão e experimenta um software de recuperação; vários fabricantes de cartões têm o seu. Um cartão danificado fisicamente ou que não é reconhecido é trabalho para um serviço de recuperação de dados. Uma câmara com duas ranhuras a gravar nas duas dá-te uma cópia de segurança para a próxima vez.

Lista de prevenção para a tua caixa

A maioria das inundações evita-se. Torna isto rotina em todas as sessões.

  • Limpa o o-ring e a ranhura Limpa ambos, passa o o-ring entre os dedos para sentir areia e procura cabelos, grãos e cortes com boa luz.
  • Lubrifica pouco e como o fabricante indica Só uma película fina do lubrificante do próprio fabricante. O excesso agarra areia e alguns vedantes foram feitos para funcionar sem massa.
  • Faz um teste de imersão Mergulha a caixa alguns minutos antes da sessão e procura bolhas. Depois de uma revisão ou com uma porta nova, testa-a primeiro vazia.
  • Usa o vácuo ou o sensor de fugas Se a tua caixa tiver, verifica-o na praia e volta a olhar para ele ao entrar na água.
  • Junta dessecante ou antiembaciamento Coloca uma saqueta de dessecante nova ou uma película antiembaciamento lá dentro, bem longe do o-ring e da porta.
  • Fecha-a num sítio fresco e seco Monta a câmara dentro de casa, de preferência com ar condicionado, e não numa praia quente e com vento onde entram areia e ar húmido.
  • Verifica cada fecho e trinco Confirma que trincos, fechos da porta e anéis de extensão estão bem fechados antes de ires para a água.
  • Passa por água, mergulha e faz revisões Depois de cada sessão, mergulha a caixa em água doce e aciona todos os botões. Troca o o-ring principal uma vez por ano e faz revisão à caixa a cada dois anos, aproximadamente.

Perguntas frequentes

A minha câmara volta a funcionar depois de se molhar?

Às vezes. Um salpico rápido de água doce num corpo selado costuma ser inofensivo depois de seco. Uma câmara que esteve submersa, sobretudo em água salgada, muitas vezes precisa de limpeza profissional ou de peças novas, e algumas não compensa reparar. Agir depressa, tirar a bateria e nunca a testar molhada dá-te a melhor hipótese.

Pôr uma câmara molhada em arroz resulta?

Não. O arroz absorve a humidade devagar, não chega à água presa dentro do corpo e deixa pó e amido. A Apple desaconselha-o nos telemóveis por esse motivo. O recomendado é secar à temperatura ambiente com boa ventilação, e uma câmara que esteve submersa precisa na mesma de um técnico.

Consigo recuperar as fotos de um cartão que se molhou?

Muitas vezes, sim. Deixa o cartão secar por completo, lê-o com um leitor à parte e copia tudo antes de fazeres mais alguma coisa. Se faltarem ficheiros, deixa de o usar e experimenta um software de recuperação. Um cartão danificado fisicamente ainda pode ser lido por um serviço de recuperação de dados.

O seguro cobre uma câmara inundada?

Depende da apólice. As garantias do fabricante cobrem defeitos, não acidentes com água, por isso precisas de cobertura de danos acidentais, e algumas apólices excluem uso profissional ou uso na água. Fotografa os danos, guarda a câmara e a caixa e pede à assistência um relatório escrito para apoiar a participação.

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